A nossa fórmula

 Foi em Barcelona que nasce e cresce a ideia de fazer uma oferta de actividades extra curriculares de grande qualidade. A minha experiência enquanto professor ensinaram-me (e questionaram-me) que a escola é o veículo de transmissão de conhecimento do “mundo real”. Mas poucos contactos com a realidade são-nos facultados pela escola actual. As pressões de cumprimento dos prgramas e a carga horária já muito “esticada”, catapultam o processo ensino-aprendizagem para métodos e estratégias de ensino muitas vezes demasiado especializadas que podem ter como consequência, a descontextualização da matéria.

A Natura Algarve Escolas acredita que o método de ensino deve ser “tão analítico quanto possível e global quanto o desejável“. É a pensar na transferência das competências teóricas para situações mais reais que pensámos numa oferta educativa diversificada, pautada pelo equilíbro na relação experiência-conteúdos.

Sem Matemática e Física não tínhamos sido os grandes navegadores que fomos. Sem História e Geografia não saberíamos as influências da nossa cultura. Sem Biologia e Geologia não conseguíamos interpretar o meio que nos rodeia. Sem Português… não éramos Portugueses…

Navegação por carta vs GPS,  Descobrimentos, sistemática dos seres vivos, ecologia e conservação, dinâmica costeira. Estes são alguns dos conteúdos que são abordados nas nossas actividades com objectivos presentes nos programas nacionais das diferentes disciplinas

Ricardo Barradas

Coordenador Pedagógico

 

Como se constrói uma actividade para escolas?

Criar uma actividade pedagógica inclui vários passos, uns mais simples que outros. Parte-se de uma ideia base, trabalha-se a essa mesma ideia em termos curriculares, tendo em conta a que etapa educativa se adequa e por fim, dá-se corpo à actividade. Antes de a pôr em prática há que experimentar e aferir conteúdos, pertinência dos objectivos dos programas nacionais e sua exequibilidade no contexto da actividade.

Ter uma ideia é tarefa relativamente simples. Tendo como referência o Algarve, Faro, Olhão, o Parque Natural da Ria Formosa, toda a história de navegantes, pescadores, ocupação islâmica e valores ambientais…conseguiríamos fazer uma lista de dezenas temas diferentes!

De seguida concentramo-nos numa ideia e debruçamo-nos sobre os planos curriculares nacionais. Eles são sem dúvida uma ferramenta de trabalho importante, pois dão as directrizes educativas do trabalho que irá ser feito. O objectivo é adequar a actividade a determinado ano lectivo e às competências que devem ser adquiridas. É também fundamental saber articular as diferentes disciplinas, pois determinado tema deve fazer uma ponte entre as ciências naturais, as ciências exactas e também as ciências humanas.  

Tendo um esboço do que vamos abordar na actividade, a tarefa seguinte é “dar-lhe vida”. Queremos fazer uma introdução teórico-prática da actividade, que a enquadre no local escolhido para a componente prática. Queremos também que fique disponível uma actividade que sirva de consolidação dos conhecimentos apreendidos. Esta pode ser feita através de uma ficha de trabalho, de um concurso de fotografia ou até mesmo o início de um novo projecto…

Falta agora os detalhes técnicos e logísticos (hora, ponto de encontro, número de alunos, etc.). Estes são combinados com os professores de forma a gerir o tempo da forma mais rentável possível. Temos agora os ingredientes para uma actividade extra-curricular divertida, ao ar livre, e acima de tudo… um momento de aprendizagem.

Exemplificando com a actividade Planeta Sustentável: a ideia na sua construção foi sensibilizar os alunos do modo como o Homem pode interferir no equilíbrio dos ecossistemas. A Ria Formosa é o local escolhido e o objectivo é fazer um percurso pedestre. No 3º ciclo este tema é abordado nas disciplinas de Geografia e Ciências Naturais. Podemos também fazer ligação com Físico-Química, pois o aquecimento global, por exemplo, é explicado por uma série de reacções. Os alunos servem-se de uma ficha de campo, máquina fotográfica, binóculos e do seu espírito crítico e observador. Têm um percurso a cumprir, com várias tarefas práticas. No final, já na escola, a Língua Portuguesa aproxima-se desta actividade, pois haverá um concurso literário e de fotografia.

Sónia Manso

Bióloga Marinha e responsável técnica

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